Giane Paiva
Deus tem uma forma muito especial de tratar com cada um de nós, ano passado eu ouvi que Jim Stier, o fundador de Jocum no Brasil, ia rodar uma escola de liderança na Suíça, em Lausanne, onde temos a primeira base de Jocum no mundo. Por uma série de fatores entendi que deveria fazer este treinamento. Graças a Deus consegui resolver o que eu precisava resolver no Brasil e dia 05 de janeiro cheguei a Suíça onde junto com mais 21 missionários de 10 Nações estou fazendo o treinamento. Não sei bem como colocar em palavras em como fazer este curso, aqui e com o Jim, tem um significado muito especial para mim. Jim é um pioneiro em missões, quando ele chegou ao Brasil a cerca de 36 anos atrás as igrejas brasileiras não acreditavam que os brasileiros pudessem ser missionários fora do Brasil e durante décadas a Jocum Brasil tem enviado centenas de missionários que tem pioneirado trabalhos em um número extraordinário de países. De certa forma é como se eu estivesse recebendo um presente para poder viver uma nova fase ministerial.





Tenho percebido que para alguém como eu, que não nasceu num lar evangélico, a palavra missão ou missões, depois que nos convertemos, não tem a princípio um entendimento muito claro. Ao procurarmos o significado da palavra no dicionário vamos encontrar que missão é “quando se envia alguém para realizar alguma coisa”. Não esclarece muito. Então, tentamos colocar a palavra no contexto da igreja e passamos a acreditar que missão é “enviar alguém para lugares distantes para realizar uma obra humanitária, propagar princípios cristãos e ajudar pessoas pobres”. Foi assim comigo e com algumas pessoas que conheço. E ... normalmente continuamos pensando que “esses povos” estão bem distantes de nós, e que pessoas que devem ser enviadas são aquelas que tem um sonho, um chamado muito específico, foi bem preparadas e principalmente são bastante altruístas e precisam abandonar tudo. Acho que era mais ou menos assim que eu pensava até ser apresentada a uma mulher chamada Eva. Eu a conheci num encontro de militares e durante o almoço fiquei ouvindo sua história. Ela tinha nascido num lar evangélico e desde muito pequena sonhava em ser missionária. Sonho mesmo, desejo imenso que ardia no coração. Dava aulas na escola dominical e casou - se muito cedo com um obreiro da igreja. Adiou o sonho, pois o ministério dele precisava de uma ajudadora. Vieram os filhos, um pertinho do outro... E mais um adiamento. Estudaram... Cresceram... O tempo parecia dizer que o sonho era coisa do passado. Os filhos se casaram e ela com quase sessenta anos me contou que fizera um concurso da prefeitura da cidade para ser agente comunitária. Com muita alegria ela dizia que agora tinha um bairro inteirinho para fazer missões. Seu sonho tinha se realizado! E mais... Ainda ganhava dinheiro para fazer aquilo. Naquela tarde entendi o que era ser missionária.
Nestes quinze anos em que estou envolvida com missões é muito comum que as pessoas me perguntem por que eu decidi ser missionária. Acredito que uma série de fatores me levaram a tomar a esta decisão. Como resposta eu poderia dizer que Deus falou ao meu coração de forma clara, de como eu entendo que missões é uma responsabilidade da Igreja, poderia falar sobre a necessidade do mundo e dos milhares de pessoas que precisam ouvir o Evangelho. Existem muitas explicações que alicerçaram minha escolha, mas com o passar dos anos tenho visto que minha resposta está se afunilando mais e mais. Por mais dados e evidências racionais que eu tenha adquirido com os anos a resposta está se tornando menos técnica e mais pessoal.